Revistas dos Anos 80

terça-feira, 19 de outubro de 2010


Revistas dos Anos 80

Numa década em que navegar pela Internet era apenas um conceito longínquo e abstrato, as revistas representavam um meio de comunicação amplamente consumido pelas massas.  Muitas das revistas dos anos 80 tinham toda uma diagramação peculiar, com capas em cores contrastantes.
Uma forma de entretenimento e diversão que, atualmente, não tem o mesmo poder que apresentava nos anos 80, tanto no que se refere ao consumo como na persuasão e formação de opiniões.  Qualquer informação que desejarmos, pode ser facilmente encontrada na rede, e as revistas se tornaram a cada dia mais supérfluas.
Mesmo assim, “recordar é viver”, portanto vamos destacar alguns títulos da época:
Revista BIZZ – Pode ser considerada a revista de maior sucesso dos anos 80.  Sua primeira edição chegou às bancas em 1985, no auge do “boom” do pop/ rock brasileiro, promovendo as bandas que surgiam de forma massiva e cujos hits podiam ser ouvidos incessantemente nas rádios FM.   A criação da revista teve como base pesquisas feitas com o público que assistia aos shows do Rock In Rio I.  Sua diagramação e visual seguiam os modelos das publicações estrangeiras “Smash Hits” e “Rolling Stone”, voltadas ao público teen.  Entre os brindes que vinham com a revista, vale destacar o “trailer disc”, com trechos de músicas que ainda não haviam sido lançadas.  Posteriormente, os “trailer discs” foram substituídos pelos flexidiscs, que eram dobráveis e feitos de plástico, e vinham com a versão inteira da música, como Blue Monday 88 do New Order, Too Late Marlene do Duran Duran.  Outros brindes eventuais: pequenos guias, em formato de cadernetas, como o “Guia do Rock de A a Z”, “Guia de Fãs Clubes”, etc.  A criação da BIZZ coincide, também, com o surgimento das então chamadas danceterias, onde, em muitas delas, as bandas se apresentavam ao vivo.   Após anos de repressão e ditadura militar, chegava à mídia uma revista totalmente segmentada ao público jovem.  O conteúdo da revista reunia matérias sobre música (com criticas a todos os vinis lançados no mês, seção de destaque para as novas bandas que surgiam no cenário musical; seção Discoteca Básica, com a análise de um LP clássico), cinema, moda, vídeo, quadrinhos, tecnologia.  Com o estrondoso sucesso, foram lançadas, além das edições mensais, edições especiais como a “Letras Traduzidas”, revistas pôsteres e a série “Ídolos do Rock”, com fotos, adesivos e discografias completas.  Infelizmente, as edições regulares da BIZZ saíram de circulação em 2007.  Esporadicamente, são lançadas edições especiais, na forma de tributos, homenagens e edições históricas. Para quem quer colecionar foi lançada uma versão digital. A edição especial conta com 7 CDs com todas as edições da revista.
BIZZ – Revista pôster  - Edição especial da revista BIZZ em formato diferenciado, que trazia, de um lado, a biografia de uma banda internacional, muitas fotos e sua discografia completa e do outro, um pôster gigante da referida banda. .

Revista Roll – Com conteúdo totalmente voltado ao rock, a primeira edição da Roll foi publicada em 1983.  Foi bastante inovadora quando lançada, pois as demais publicações sobre música voltadas aos jovens geralmente abordavam assuntos relativos a equipamentos de som e instrumentos musicais.  Seus colaboradores realmente sabiam do que estavam falando, um diferencial em comparação às outras revistas do gênero.   A Roll também tinha a missão de divulgar as bandas de rock que despontavam no cenário musical da década.  Por ser quase independente, foi derrubada pela BIZZ, que tinha a renomada Editora Abril por trás. A periodicidade era mensal e os textos das primeiras edições foram escritos pelo então jornalista Paulo Ricardo Medeiros, que sem o sobrenome, se tornaria o líder do R.P.M.

Revista SET – A revista SET foi lançada em 1987, com temática completamente voltada a cinema e vídeo.  Foi criada a partir de pautas de cinema publicadas na revista BIZZ.   O ator Mickey Rourke estampou a primeira capa da revista.   As primeiras edições vinham com dois mini-pôsteres originais dos filmes em cartaz e em seu verso, traziam informações e curiosidades sobre a produção.  Posteriormente, os mini-pôsteres foram substituídos por cartões, quatro por página, que podiam ser destacados e colecionados.   Também eram publicadas resenhas sobre as fitas recém chegadas às locadoras.
Revista Amiga – A extinta revista Amiga se enquadrava no gênero “revista de fofocas” e tinha o compromisso de celebrar o sucesso de nossos artistas, dando destaque e acompanhando o maior produto da cultura brasileira: a telenovela. 
Em suas capas, havia sempre manchetes bombásticas, como por exemplo: “Gloria Menezes descobre traição de Tarcisio Meira”, que se referiam ao que iria acontecer na novela e não com os atores.  Essa fórmula de utilizar os nomes dos atores ao invés de seus personagens causava um efeito mais chamativo.


Revista Contigo! – Inspirada no formato da revista Amiga, a revista Contigo! é uma das publicações mais antigas lançadas pela Editora Abril.  Seu primeiro exemplar chegou às bancas em 1963, com periodicidade mensal.  Seu conteúdo se resumia a fotonovelas.  Pouco tempo depois, a revista apresentava reportagens sobre as celebridades da época, nacionais e estrangeiras.  Mesmo não tendo surgido nos anos 80, resolvi incluir a Contigo! como uma das revistas de maior destaque na década, abordando, principalmente, as novelas em exibição e curiosidades sobre seus atores e atrizes.

Revista Manchete – A revista Manchete foi lançada no Brasil em 1952, tendo como modelo a parisiense “Paris Match”, cujo conteúdo era essencialmente o fotojornalismo.  Nos anos 80, a revista ainda tinha periodicidade semanal, mas no final da década passou a lançar apenas edições especiais esporádicas, como os especiais de Carnaval.

Revista Capricho – A primeira edição da revista Capricho foi lançada em 1952 e tinha o formato de fotonovela.  Somente em 1982, a revista mudou de público-alvo, tornando-se “a revista da gatinha”, com conteúdo totalmente voltado às jovens adolescentes, abordando temas afetivos, sociais, polêmicos, moda, beleza e comportamento.  A revista contava com seções interessantes, entre elas: “Antes e Depois”, uma espécie de “makeover” pela qual as leitoras sorteadas se submetiam, com mudança de visual incluindo cabelos, maquiagem, roupas e até atitude; “Meu Quarto”, na qual as leitoras enviavam à redação da revista fotos de seus quartos; “Certo e Errado”, onde os fotógrafos da revista saiam às ruas em busca de micos de moda, e fotografavam as moças sem revelar seus rostos e mostravam seus “looks” esdrúxulos.  Era vexatório deparar-se com sua foto nessa seção da revista, mas não deixava de ser divertido.  As capas da Capricho traziam meninas lindas e pouco conhecidas e, algumas delas, se tornaram celebridades conhecidas, como é o caso de Ana Paula Arósio, que foi capa da revista quando tinha apenas 12 anos.
Outras publicações inspiradas no formato de Capricho: Carícia e Carinho. A revista Querida estampava atrizes jovens em suas capas, como Leticia Spiller e Gabriella Duarte, fórmula que, nos anos 90, foi adotada pela Capricho.

Revistas Masculinas – Três revistas masculinas ilustravam o cenário editorial na década de 80: Playboy, Status e Ele & Ela.  Porém, somente a Playboy e a Status disputaram acirradamente a atenção dos leitores até 1987, quando a Status publicou sua última edição.  A Ele & Ela sempre ocupou um patamar inferior, pois não contava sempre com estrelas famosas estampando suas capas.  Sem concorrentes à altura, a Playboy se consagrou como a revista voltada ao público adulto, já no final dos anos 80.  A Playboy também lançava edições especiais, como “As Garotas da Playboy”, uma compilação de fotos das estrelas que já haviam posado para a revista.

Revista Placar – No início da década, a Placar tinha periodicidade semanal e tornou-se companheira inseparável dos meninos dos anos 80.  Seu conteúdo era essencialmente esportivo e abordava tudo o que acontecia em todas as modalidades de esportes, sendo o futebol seu carro-chefe.  Uma das mais interessantes seções da revista era a “Imagens de Placar”, que mostrava engraçados lances flagrados durante os jogos.  Junto com a revista, vinham escudos para futebol de botão, para completar coleções com times raros, que não se encontravam nas lojas.  Após 1985, a Placar lançou a seção “Garotas da Placar”, mostrando lindas garotas em trajes sumários, de banho ou com os seios desnudos.  Uma compilação dessas fotos era relançada no final de cada ano, em uma edição especial.

Revista Mad – O enorme sucesso que a revista Mad alcançou no Brasil nos anos 70 ainda persistiu na década de 80.   Seu slogan era “a revista mais aloprada do planeta”.  Seu conteúdo era inovador, sarcástico, divertido e irreverente.  Com um humor agressivo e até mesmo negro, era, ao mesmo tempo, inteligente, e apresentava sátiras e críticas sociais desenhadas de forma impecável.   Alfred E. Neuman foi o nome dado ao personagem sempre presente nas capas da MAD, na figura de um garoto ruivo, sardento, desdentado, com orelhas de abano e ligeiramente estrábico.


Revista Chiclete com Banana – Lembrando a revista MAD, a Chiclete com Banana reunia quadrinhos voltados ao público adulto.  Foi criada por cartunistas de destaque na década de 80 (Angeli, Glauco Villas-Boas, Laerte Coutinho e Luiz Gê).   Era publicada a cada dois meses e seu conteúdo era essencialmente sarcástico e com humor picante, ambientado num universo underground, sempre com muitos palavrões, consumo de drogas e violência, porém retratados de forma divertida. Os personagens criados para a revista levaram seus criadores a ganharem espaço de destaque na mídia.  Alguns personagens inesquecíveis: Bob Cuspe (punk), Os Skrotinhos, Wood & Stock (hippies), Geraldão, Piratas do Tietê, Bibelô e a incomparável Rê Bordosa, uma garota típica da década apaixonada por vodka, noitadas e sexo.

Revista Animal – Lançada em 1988, ficou em circulação por cerca de quatro anos, divididos na publicação de 23 edições mensais, 8 edições especiais intituladas “Grandes Aventuras Animal” e dois volumes da “Coleção Animal”.  Em seus quatro anos de existência, a Animal publicou quadrinhos de desenhistas brasileiros, europeus e americanos.  O conteúdo mesclava muita perversão, sexo e drogas.  O andróide Ranxerox era o principal personagem da revista, na figura de um andróide cibernético.  Sua namorada, a viciada Lubna, tinha apenas 12 anos de idade (escândalo...).

Revista Transfer – Foi uma verdadeira febre entre meninos e meninas na década de 80.  Com periodicidade semanal, a revista trazia diferentes temas e cenários (como por exemplo: fazenda, praia, cidade, circo, etc.) e um encarte contendo desenhos para se rabiscar por cima e aplicar no cenário, como se fossem uma espécie de decalque.

Revistas de Super-Heróis

O Cavaleiro das Trevas – lançado pela editora Abril em 1987.  Mostrava um Bruce Wayne já com seus cinqüenta e pouco anos, aposentado, depressivo e psicótico, que combatia o crime com métodos nada ortodoxos e que não deixavam nada a desejar aos utilizados por seus inimigos.  Em uma de suas quatro edições, houve até um combate entre o Batman e o Super Homem.

Watchmen
– Mostrava uma visão mais realista dos heróis mascarados e como seria o mundo se eles realmente existissem.

Elektra – lançada pela editora Abril em 1986.  Aventuras de uma ninja assassina e justiceira, amante do Demolidor.
X-Men – série derivada das Superaventuras Marvel do início dos anos 80.  Contava com personagens mutantes, cada qual com seu poder característico e exclusivo.

Gibis

Turma da Mônica – O primeiro gibi da Turma da Mônica foi lançado em 1970 pela Editora Abril.  Nos anos 80, os personagens criados por Maurício de Souza conquistaram os leitores definitivamente, com vendas superiores às das revistas Disney e Luluzinha e Bolinha.   Vários outros gibis foram lançados: Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Magali, Pelezinho, além das edições especiais, como o Almanacão da Turma da Mônica, o Grande Almanaque da Turma da Mônica, o Almanacão de Férias, que reuniam as melhores historinhas que já haviam sido publicadas, quadrinhos inéditos e diversos passatempos.
Os Trapalhões – retratavam Os Trapalhões como crianças nos quadrinhos, reproduzindo versões das piadas exibidas no programa de TV.
Disney Especial – revistas temáticas, com conteúdo espesso.   Todo mês, era escolhido um tema diferente (Os Artistas, Os Chatos, Os Vilões, etc)., em aventuras vividas por diversos personagens Disney.
Sítio do Pica-pau Amarelo – lançado em 1981, mostrava os personagens do sítio em fantásticas aventuras.  Havia também a seção de Passatempos, As Receitas da Tia Anastácia e As Histórias de Dona Benta, que abordava eventos da história do Brasil.
Para recordar, outros gibis que circulavam nas bancas nos anos 80:
Luluzinha, Bolinha, Pica-Pau, Almanaque Disney, Bolota, Brotoeja, Brucutu, Comandos em Ação, Os Flintstones, Frajola e Piu Piu, Mickey, Pernalonga, A Pantera Cor-de-Rosa, Pato Donald, Tio Patinhas, Pateta, Pimentinha, Recruta Zero, Riquinho, Scooby-Doo, Zé Carioca, Zé Colméia...
Algumas lembranças:

Revistas de Decalques, os quais umedecíamos e aplicávamos nos cadernos, agendas, livros, etc.

Revistas para Meninas, que vinham com uma boneca de papel e várias roupinhas, que recortávamos para vesti-la.
Sem dúvida, títulos que nos remetem à incomparável e fantástica nostalgia que vivenciamos nos anos 80.
 

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